Musculação e MMA

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 Por Julianne Cerasoli

Já há algum tempo as academias se tornaram mais do que locais para se ‘puxar ferro’. De uns tempos para cá, cada vez mais sacos de pancada e tatames passaram a dividir espaço com aparelhos, barras, halteres e anilhas. Mas será que dá para dividir a rotina na musculação com os treinos de lutas e manter o corpo gigante e trincado?

Os lutadores de MMA, ou artes marciais mistas, geralmente não se destacam pelo volume ou tônus musculares. São ágeis e explosivos, mas não necessariamente musculosos, algo que varia entre as categorias e tipos físicos. Isso porque o treinamento voltado à luta não visa a hipertrofia, qualidade que em nada ajuda na hora de entrar no ringue.
Não que a musculação esteja fora da rotina dos campeões. Muito pelo contrário. “Lutas são classificadas como modalidades de caráter intermitente. Nessas modalidades, as capacidades biomotoras consideradas como determinantes para o desempenho são a força e a potência. Nesse sentido, a musculação, mais cientificamente denominada como treinamento de força, com pesos, ou resistido, é reportada na literatura como um dos métodos mais eficientes para o desenvolvimento dessas capacidades”, explica Bernardo Neme Ide, mestre e doutorando em Biodinâmica do Movimento Humano e professor do curso de pós-graduação em bioquímica, fisiologia, nutrição e treinamento esportivo da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
A hipertrofia, no entanto, não aparece entre essas capacidades fundamentais para quem leva a sério o treino nos tatames e ringues. Mas se o objetivo não é conquistar nenhum cinturão, o trabalho mais pesado na sala de musculação não deve interferir negativamente. E dizemos “deve” porque ainda não há estudos conclusivos na área.
“Na literatura, o prejuízo a uma capacidade, ou adaptação, induzido por outros treinamentos, é denominado treinamento concorrente. As pesquisas não apontam uma posição muito bem consolidada sobre o assunto, uma vez que a concorrência estaria na dependência de variáveis do treino como volume e intensidade, ou seja, depende de como será o treinamento de luta”, explica Ide. “Se esse treino for extremamente intenso e volumoso, haveria um possível prejuízo. Caso contrário, não. A literatura reporta muitos experimentos realizados com o treinamento de força e o treinamento de endurance (resistência). Com lutas ainda não há experimentos, e é uma dúvida que tenho. Talvez façamos esse experimento futuramente.”
Como tudo na vida, é uma questão de prioridades. Como a hipertrofia não é uma das capacidades que ajudam na hora do combate, ela não é enfatizada caso o treino vise a preparação de um lutador. Isso vai fazer com que ele lute bem, mas não tenha um físico de fisiculturista, como vemos entre as estrelas do UFC.
Por outro lado, caso sua ênfase seja em criar músculos, logo o treino sairá um pouco das características do trabalho feito pelos lutadores e você muito provavelmente não terá uma evolução tão grande nos tatames e ringues. Dito isso, o treino não competitivo para ambos os casos não deve ocasionar grandes problemas.
“Os treinamentos físicos possuem uma diversidade infinita de cargas (volumes, intensidades, pausas, etc.) e, consequentemente, de divisão de treinos, que ocorre em função do calendário competitivo e dos objetivos específicos de cada período de treino”, avalia Ide, quando perguntado sobre a interferência de um tipo de treinamento em outro. “Teríamos que saber especificamente qual o conflito queremos evitar. Dentre eles destacamos danos teciduais, depleção de substratos energéticos e síntese de proteínas estruturais do músculo esquelético (hipertrofia muscular).”
A variação dos tipos de treino é feita em função do calendário de competições e diversas técnicas, como treinos de força, resistência, explosão, etc., são utilizadas dentro da periodização para que o lutador desenvolva suas capacidades de maneira integral.
Dá para perceber bem o que o profissional quer dizer quando observamos a rotina de seu atleta, Rafael “Índio” Nunes. O lutador varia bastante as atividades e foge das tradicionais 8 a 12 repetições, com um minuto de descanso. Além disso, não separa seu treino por grupos musculares, como é de praxe quando o foco do treino é na musculação em si.
“Na preparação física de atletas profissionais, não treinamos grupamentos musculares, mas, sim, as capacidades biomotoras. Nos preocupamos com o desenvolvimento da força, potência e resistência, e nesse sentido a resposta é que são todos”, explica Ide.

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Matéria publicada na SuperTreino ed. 55

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